O ex-banqueiro Daniel Vorcaro deu um passo importante rumo a um possível acordo de delação premiada. Na noite de quinta-feira (19), o antigo controlador do Banco Master formalizou a assinatura de um termo de confidencialidade junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), medida considerada inicial para a colaboração. A assinatura ocorreu poucas horas após sua transferência da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF na capital. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
O avanço na possibilidade de delação acontece após revés judicial. Na sexta-feira (13), a 2ª Turma do STF formou maioria para manter Vorcaro preso, com votos de Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux. O presidente do colegiado e decano da Corte, Gilmar Mendes, ainda não se manifestou sobre o caso. Vorcaro está detido desde 4 de março, data em que a PF deflagrou a terceira fase da Operação Compliance Zero, também autorizada por Mendonça.
O acordo de confidencialidade estabelece que todas as informações trocadas permaneçam sob sigilo, restritas à defesa do ex-banqueiro e aos integrantes da PGR e da PF. A hipótese de colaboração ganhou força na última semana, especialmente após a troca de defesa: deixou o caso o advogado Pierpaolo Bottini, assumindo em seu lugar José Luís Oliveira Lima, conhecido por atuar em negociações de delação premiada.
O nome de Vorcaro passou a ocupar espaço no noticiário policial em 17 de novembro do ano passado, quando foi preso pela primeira vez pela PF ao tentar embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Para as autoridades, havia indícios de tentativa de fuga; já o empresário alegou que viajaria para concluir a venda do Banco Master a investidores estrangeiros. No dia seguinte à prisão inicial, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, diante de suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro nacional. Estimativas apontam um prejuízo superior a R$ 50 bilhões.
A primeira detenção durou 12 dias, sendo ele liberado por decisão judicial ainda em novembro de 2025. Em liberdade, passou a cumprir prisão domiciliar em São Paulo, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Nos meses seguintes, vieram à tona informações sobre sua relação com integrantes do STF, especialmente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. No caso de Moraes, foi divulgado um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro. Além disso, revelou-se que, no dia da primeira prisão, Vorcaro enviou uma mensagem ao magistrado com a pergunta: “Conseguiu bloquear?”.
Já a ligação com Toffoli envolve o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro, no Paraná. Fundos administrados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, adquiriram participação no empreendimento, que pertencia a irmãos do ministro. Toffoli era o relator do caso no STF e, nessa função, determinou o sigilo de dados do processo. A segunda prisão do ex-banqueiro, que abriu caminho para a atual negociação de delação, ocorreu após Mendonça assumir a relatoria da ação na Corte.
Fonte: GP1
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